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Raabe A redenção De Uma Vida Detestável / A Graça Salvadora Alcansa Todos


A redenção de uma vida detestável.
RAABE, hb. Insolência, Largo: 
1. Mulher prostituta, ou estalageira, que residia em uma casa sobre o muro de Jericó. 
Ocultou os espias, enviados por Josué. 
Como recompensa, sua vida e de sua família foi poupada, na conquista da cidade, Js 6. 2
Ela, somente, com a sua casa, dente todos os habitantes de Jericó, escaparam com sua vida, Js 6,17, 25. Casou-se com Salmon, um  dos príncipe de Judá e dela descende Davi Salomão e Jesus, Mt 1.5. 
É mencionada, em Hb 11.31, como um exemplo de salvação pela fé; em Tg 2.25, como um exemplo daquela fé que produz boas obras.
 Salmom gerou Boaz, cuja mãe foi Raabe; Boaz gerou Obede, cuja mãe foi Rute; Obede gerou Jessé; e Jessé gerou o rei Davi, Mateus 1:5-6.
Quando Raabe aparece pela primeira vez no Canon Bíblico, ela é uma das personagens  mais detestável a que se teve acesso na sociedade. 
Ela é apresentada como “uma prostituta chamada Raabe” (Josué 2:1). 
Se você a tivesse encontrado antes da grande virada em sua vida, você poderia tê-la descartado como Uma pessoa totalmente perdida  e depravada para muitos. 
Ela era uma mulher imoral, vivendo em uma cultura pagã que era dedicada ao fanatismo a tudo que Deus abomina. 
Até a própria cultura de Jericó estava prestes a ser julgada. 
Sua longa descida rumo a corrupção moral e espiritual tinha sido proposital, e, era irreversível. 
Até onde estamos cônscios, Raabe sempre foi uma participante intencional na depravação característica daquela civilização. 
Ela tinha lucrado pessoalmente com o mal que reinava sob aquela sociedade. 
Deus tinha decretado a destruição completa de toda a cultura por causa da sua maldade daquele povo.  Porque Raabe não deveria também receber a recompensa justa pelo seu pecado intencional? N
No que se refere ao seu registro de vida, não há nenhuma qualidade que a pudesse redimir, presente na vida de Raabe até aquele momento. 
Ao contrário, ela estaria bem na parte inferior de uma hierarquia moral de uma cultura gentia que já era totalmente corrompida e tão pagã quanto qualquer outra sociedade na história da humanidade.
Obtinha seu sustento a partir do apetite insaciável da depravação desenfreada, atendendo aos apetites mais degradantes da da escória da sociedade da época. 
Como nos hoje poderiamos imaginar uma candidata mais seria premiada com honra Divina do que Raabe.
Mesmo assim, vemos em Hebreus 11:31, mesmo sendo identificada até mesmo nessa passagem como “a prostituta Raabe”, ela é citada especificamente pelo nome por causa da grandeza da sua fé, e até aparece na genealogia de Cristo, em Mateus 1.
Isso é muito extraordinário?
 Essa palavra é pouco quando se fala dessa mulher Raabe. 
Um cenário totalmente inoportuno. . .
 Raabe habitando em Jericó no tempo da invasão de Josué. 
A sua casa não ficava em algum beco no fundo da cidade, mas situava-se no seu muro famoso (Josué 2:15)
O muro deve ter sido uma edificação larga, certamente, com espaço suficiente sobre ele para construções e para uma passarela, ou até mesmo uma rua. 
Essa, com certeza, era uma localização privilegiada no valorizado bairro comercial. 
É justo pensar, então, que Raabe desfrutou de um sucesso financeiro muito bom em seu negócio, por certo muito lucrativo, como presenciamos nos nossos dias. 
Mulheres bem sucedidas que trabalham como  prostitutas.
Infelizmente, o seu “negócio” era esse.
 Ela regularmente se vendia seu lindo corpo aos homens mais perversos daquela cidade já muito má.  Jericó fazia parte do reino dos amorreus, uma cultura violenta, e totalmente depravada e pagã, que era tão inclinada ao inferno na busca de todo tipo de coisas abomináveis que o próprio Deus os condenou a serem varridos da face da terra (Deuteronômio 20:17). 
A cultura dos amorreus tinha sido tão completa e maliciosamente corrupta  ao menos desde a época de Abraão, que o seu estilo maligno de vida era a razão exata e inicial pela qual Deus tinha passado a Abraão e aos seus descendentes o direito àquela terra (Deuteronômio 18:12; 1Reis 21:26).
O Senhor tinha prometido a Abraão que os seus descendentes começariam a tomar posse da terra, tão logo a maldade dos amorreus  se completasse (Gênesis 15:16)
É esse momento tinha  chegado.
A nação má alcançou o seu nível máximo da tolerância Divina. As vezes é assim, Deus deixa um pouco e depois corta.
 Na verdade ela representava o nível cultural daquele povo abominável da  os cananitas amorreus no momento em que eles tinham chegado de forma coletiva ao cúmulo da maldade humana. 
Toda a suas vidas tinha sido dedicada a esse propósito profano de satisfação carnal. 
Seu sustento dependia disso. 
Ela tinha sido escravizada aos tipos mais diabólicos de paixão, na servidão do seu próprio pecado, e era refém de uma sociedade monstruosa que já estava sob uma sentença de condenação e morte, na estava marcada para destruição eterna.
 A graça de Deus a redimiu e a libertou daquela vida horrível, arrancando-a como um tição do fogo. Vamos acompanhar o cenário notável a história de Raabe: 
Moisés tinha morrido (Josué 1:1-2). 
A geração de israelitas que tinha saído do Egito já estava toda morta também. 
Mais de um milhão de israelitas tinham saído originalmente do Egito sob a liderança de Moisés (Êxodo 12:37). 
Por causa da teimosia coletiva e da incredulidade persistente daquela geração, quando eles chegaram à entrada da Terra Prometida, em Cades-Barneia, todas as pessoas acima de vinte anos foram proibidas de entrar. 
Toda uma geração foi condenada a morrer no deserto sem poder ter ao menos mais um vislumbre da Terra Prometida. 
Havia duas exceções importantes no meio do povo(Números 14:30): Josué e Calebe. 
Esses dois homens tinham espiado a Terra Prometida para Moisés. 
Eles tinham voltado entusiasmados com o potencial da nova terra de Israel e confirmaram as palavras de Deus sobre ela, mas quando os outros dez espias voltaram com um relatório contraditório, desanimados, avisando sobre os perigos que os aguardavam, o povo de Israel hesitou em entrar na terra. 
Eles deram ouvidos à incredulidade dos pessimistas, em vez focarem na promessa de Deus.
Naquela hora e local, toda a nação armou um motim contra Moisés e contra Deus (Números 13-14). 
Essa foi a gota d’água. 
Foi por isso que o povo de Israel foi levado a peregrinar por quarenta anos. 
Isso foi uma condenação divina contra eles por causa da sua incredulidade (Números 14:30-35)
No final, os cadáveres de toda aquela geração exceto dos dois homens fiéis foram enterrados em sepulcros espalhados pelo deserto, onde as condições extremas finalmente os consumiram (v. 32-33). Trinta e oito anos já tinham se passado desde aquela rebelião, em Cades Barneia. 
O livro de Josué começa com os Israelitas situados novamente na entrada de Canaã, dessa vez, perto de Sitim (Josué 2:1; 3:1), a 12 Km a leste do rio Jordão, quase na margem oposta a Jericó. 
Josué tinha sido nomeado líder sobre toda a nação no lugar de Moisés. 
No capítulo 1 de Josué, o Senhor reforçou a coragem e a determinação de Josué com uma série de promessas, e Josué preparou o povo para entrar na terra. 
Finalmente, chegou o dia que essa geração tinha esperado por toda a vida. 
Sabiamente, do mesmo modo que Moisés tinha feito anos antes, Josué enviou espias adiante deles para coletar informações militares e estratégicas sobre o que estava reservado para eles na outra margem do Jordão. Dessa vez, no entanto, Josué somente enviou dois homens, dizendo: 
“Vão examinar a terra, especialmente Jericó” (2:1). 
A Bíblia simplesmente diz: “Eles foram e entraram na casa de uma prostituta chamada Raabe, e ali passaram a noite” (2:1). 
Portanto, Raabe é a primeira pessoa da Terra Prometida que a Bíblia nos apresenta. 
Pela graciosa providência de Deus, ela se tornaria um dos elementos-chave do triunfo militar de Israel. Toda a sua vida, a sua carreira e o seu futuro seriam transformados pelo seu encontro surpresa com os dois espiões de guerra.
 É uma confluência improvável de forças para o bem: de um lado, uma mulher pagã solitária, cuja vida, até aquele momento, não tinha nenhum traço de heroísmo; e do outro, uma nação de refugiados itinerantes que, por toda vida, viveram seus últimos quarenta anos sob o olhar reprovador de Deus, por causa da desobediência de seus pais. Porém, a colaboração dos espiões com Raabe foi o início da queda de Jericó. A derrota de Jericó foi a primeira conquista dramática de uma das maiores campanhas militares da história.
Josué 2:1-7 conta o que aconteceu: Então Josué, filho de Num, enviou secretamente de Sitim dois espiões e lhes disse: 
“Vão examinar a terra, especialmente Jericó”.
 Eles foram e entraram na casa de uma prostituta chamada Raabe, e ali passaram a noite. Todavia o rei de Jericó foi avisado: “Alguns israelitas vieram aqui esta noite para espionar a terra”. Diante disso, o rei de Jericó enviou esta mensagem a Raabe: “Mande embora os homens que entraram em sua casa, pois vieram espionar a terra toda”. Mas a mulher que tinha escondido os dois homens respondeu: “É verdade que os homens vieram a mim, mas eu não sabia de onde tinham vindo. Ao anoitecer, na hora de fechar a porta da cidade, eles partiram. Não sei por onde foram. Corram atrás deles. Talvez os alcancem”. 
Ela, porém, os tinha levado para o terraço e os tinha escondido sob os talos de linho que havia arrumado lá. Os perseguidores partiram atrás deles pelo caminho que vai para o lugar de passagem do Jordão. E logo que saíram, a porta foi trancada. 
Josué, propositalmente, fez segredo sobre o trabalho dos espias. Aparentemente, nem mesmo os próprios israelitas tinham conhecimento da missão deles. 
Eles deviam reportar-se a Josué, não a toda a nação (vv. 23-24). 
Josué não estava pedindo algum retorno a eles, de modo que as pessoas pudessem discutir entre si se deviam cruzar o Jordão ou recuar com medo. 
Ele não cometeria o mesmo erro novamente.
 Israel já tinha passado pelo beco sem saída da opinião popular, e isso lhe custou um período de quase quarenta anos. 
Josué estava assumindo o papel de um comandante determinado. 
Ele avaliaria o relato dos espiões pessoalmente e decidiria com a ajuda de Deus, e não com uma votação popular, como os seus exércitos agiriam. 
Jericó estava em um local estratégico, na abertura de dois caminhos vitais entre as montanhas circunvizinhas, um levando para sudoeste, rumo a Jerusalém, e outro levando para noroeste, em direção de Ai, e, mais além, para Betel também. A  ocupação ali era importantíssima.
Conquistar Jericó daria a Israel uma base forte para continuar com a campanha de conquista para toda a Terra Prometida. 
Não é à toa que Jericó era uma Fortaleza. 
A tarefa dos espias era avaliar essas fortificações e dar um relatório para Josué. 
Os espias, mais provavelmente, começaram seu trabalho secreto pouco antes do entardecer. 
O rio Jordão ficava a 12 quilômetros a leste. 
Uma caminhada vigorosa de duas horas os levaria para a margem do rio. 
Havia vaus nas proximidades (v. 7), onde a água dava na altura do peito, no ponto mais fundo. 
Os homens poderiam escolher entre caminhar ou nadar, facilmente cruzando o Jordão. 
Então, eles teriam outra jornada de doze quilômetros a pé para Jericó. 
Mesmo que eles se molhassem atravessando o rio, isso lhes dava tempo mais que suficiente para estarem adequadamente secos quando chegassem. 
Depois disso, eles teriam de entrar na cidade murada de algum modo e encontrar algum alojamento para o resto da noite tudo isso sem levantar suspeitas. 
Jericó era uma cidade grande, e os visitantes entravam e saíam o tempo todo. 
Os espias conseguiram entrar na cidade antes de os portões fecharem à noite (v. 5). 
A Bíblia não diz como eles entraram. 
 Suponho que eles conseguiram encontrar uma maneira sem muita dificuldade. 
Talvez simplesmente tenham se misturado com os outros viajantes na hora mais movimentada do dia. Tendo eles entrado na cidade, o lugar ideal para hospedagem sem levantar suspeita, seria em uma pousada ou em uma casa no próprio muro mais próximo de alguma rota de fuga. 
Desse local, eles poderiam avaliar as defesas e vulnerabilidade da cidade. 
Uma boa maneira de evitar levantar suspeitas ou atrair atenção indevida seria encontrar algum bairro sórdido onde todos entenderiam a necessidade de se andar discretamente. A busca deles os levou a casa de  Raabe, uma meretriz, que era próspera o bastante para ter uma casa em uma parte privilegiada da cidade, sobre o muro. 
Tanto ela quanto o seu negócio eram bem conhecidos ali em Jericó. 
Essa seria uma situação ideal para os espias se camuflarem. Ela abriria a porta para eles sem fazer nenhuma pergunta sobre quem eles eram. 
No seu negócio, o sigilo máximo era essencial obviamente. Elas recebia homens das mais variadas classes, cidadãos comuns, militares, nobres.
Ela iria os receber bem e os convidar para entrar rapidamente, justamente como ela fazia com todos os clientes. Os espias israelitas, obviamente, não a procuraram para se aproveitarem dela, para se divertir, eles não poderiam desviar o foco, pois estavam em uma missão militar. Não vieram tinham com propósitos sórdidos imorais. 
Quem sabe tenha sido exatamente esse o motivo que conquistou a confiança dela. Eles claramente não estavam ali para usar ou abusar dela. A conversa era  diferente de praticamente todos os outros homens que ela já tinha recebido ali. 
Eles eram sérios e sóbrios, mas não parecem tê-la intimidado de modo algum. Possivelmente, eles a trataram com uma dignidade paciente e com respeito enquanto faziam o seu reconhecimento cuidadoso. Sem dúvida, eles explicaram a ela quem eram, o que significa que eles teriam falado alguma coisa sobre Deus. 
Na maior parte do tempo, eles cumpriam sua tarefa, possivelmente fazendo medidas do muro e registrando detalhes sobre seus parapeitos e sobre a visão panorâmica. 
A casa de Raabe era perfeita para os seus propósitos. 
A posição proporcionava uma visão bem próxima do muro, o qual era a defesa principal da cidade, mas o local também possibilitava uma fuga rápida como já disse, se fosse necessária, caso fossem descobertos. 
Certamente, os muros da cidade eram feitos para afastar intrusos, mas uma pessoa dentro do muro com uma corda, com o comprimento suficiente, poderia escapar facilmente escalando de dentro para fora. Pela providência de Deus, tudo o que precisavam estava no lugar certo, e também pelo propósito soberano dele, o coração de Raabe estava pronto para crer em Joova. 
Só que, de algum modo, a presença dos espias foi descoberta quase no momento em que entraram na casa de Raabe. 
Com certeza, todos em Jericó já sabiam que toda a nação israelita estava acampada na outra margem do rio, a uma distância considerável. 
Toda Jericó tinha ouvido falar sobre a fuga milagrosa de Israel no Egito, das mãos de Faraó, atravessando o mar Vermelho milagrosamente, e sobre o afogamento de todo o exército de Faraó (v. 10). A história das peregrinações que se seguiram pelo deserto também era bem conhecida por toda a região. A própria Raabe conta aos espias que os habitantes da terra estavam desanimados com o que tinham ouvido falar sobre Israel e o tratamento de Deus com eles. 
Nas palavras de Raabe: 
“Quando soubemos disso, o povo desanimou-se completamente, e por causa de vocês todos perderam a coragem, pois o Senhor, o seu Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra” (v. 11).
Mesmo assim, com a exceção da própria Raabe, o povo de Jericó não parecia ter muito medo do poder de Deus ou da excepcional força militar de Israel. 
Quem sabe as lendas sobre os quarenta anos vagando sem direção tendiam a contrabalançar o medo dos cananeus quanto à sua força militar de Israel. 
Seja qual for a razão para a complacência deles, a segurança da fortaleza murada fazia com que os residentes de Jericó ficassem bem orgulhosos com a sua segurança. 
Apesar disso, eles estavam alerta para intrusos, e os oficiais tinham provavelmente dado ordens expressas para relatar qualquer coisa suspeita para o rei. 
O “rei” tinha uma função parecida com a de um prefeito, mas tinha o controle militar. 
Portanto, era ele quem deveria ser avisado se intrusos fossem descobertos. 
Quem sabe alguém a quem os espias pediram informações não os tenha denunciado, ou mesmo sentinelas próximas à casa de Raabe notaram a sua presença e os reconheceram pelas roupas como israelitas.
Em todo caso, a presença deles foi rapidamente relatada para o rei de Jericó. 
As informações que ele recebeu incluíam detalhes específicos sobre o lugar para o qual os espias tinham ido, então o rei enviou mensageiros para inspecionar a casa de Raabe. 
É nesse momento que Raabe nos surpreende maravilhosamente. Lembre-se, ela ganhava o seu sustento vendendo a si mesma para propósitos malignos. Ela poderia ter ganhado uma bela recompensa se tivesse entregado os espias, mas ela em respeito e temor ao Deus de israel, ela não fez isso. 
Ela  procurou algum lugar e os escondeu. 
Ela despistou os oficiais do exército de Jericó e os salvou a vida dos dois espias, mesmo que com isso tenha colocado toda sua família em risco. 
Obviamente, os representantes do rei sabiam que os espias tinham estado na casa dela. Quando não puderam encontrar nenhuma prova de que os homens tinham realmente deixado a cidade, eles provavelmente voltariam para interrogar Raabe novamente. 
Ela arriscou a própria vida quando protegeu esses estranhos. 
Sua expressão repentina de fé, portanto, não é somente inesperada, ela parece ir contra todos os instintos que normalmente motivariam uma mulher como Raabe a se beneficiar da situação. As ações de Raabe para proteger os espias incluíam contar uma mentira. 
Será que isso tem justificativa? 
Ao homenageá-la por sua fé, será que a Bíblia está tolerando os métodos dela? 
Vários homens bons têm debatido essa questão desde o princípio da história rabínica. 
Temos de admitir que essa não é uma questão fácil de responder. 
A Bíblia diz: 
“O Senhor odeia os lábios mentirosos, mas se deleita com os que falam a verdade” (Provérbios 12:22). O próprio Deus não pode mentir (Tito 1:2; Números 23:19; 1Samuel 15:29), portanto, ele não pode tolerar nem aprovar uma mentira. 
Alguns têm tentado defender que, por causa das circunstâncias, essa não tinha sido tecnicamente uma mentira, mas uma manobra militar, uma estratégia legítima com o propósito de iludir ou ser mais esperto do que o inimigo em meio à guerra. 
Outros afirmam que mentir torna-se até aceitável se for por um bem maior. 
Esse tipo de abordagem situacional na ética está cheio de problemas sérios. 
Não vejo necessidade de justificar a mentira de Raabe. 
Será que ela era necessária para um bem maior? 
Claro que não! 
Sadraque, Mesaque e Abednego também poderiam ter escapado da punição mentindo e poderiam ter defendido de forma convincente que era por um “bem maior”, mas não existe um bem maior que a verdade, e a causa da verdade jamais pode ser servida pela mentira. 
Sadraque e seus amigos falaram a verdade, na verdade, eles aproveitaram a oportunidade para glorificar o nome de Deus e Deus ainda foi capaz de salvá-los da fornalha. 
Com certeza, ele poderia ter salvado os espias e Raabe sem mentiras. Além do mais, esse não é o sentido da história de Raabe. 
Não é preciso fazer uma racionalização astuta para tentar justificar a sua mentira. 
As Escrituras nunca elogiam a mentira. 
Raabe não é aplaudida pela sua ética. 
Ela é um exemplo positivo de fé. 
Nesse momento, sua fé tinha acabado de nascer, era fraca, e precisava ser alimentada e desenvolvida. Seu conhecimento de Deus estava engatinhando. Ela deixa isso claro em Josué 2:9-11, quando diz que sabia um pouco a seu respeito, tendo criado um grande interesse em Jeová por causa das histórias sobre o êxodo de Israel do Egito, mas é bem provável que ela nunca tivesse conhecido nenhum verdadeiro adorador de Jeová até aquela noite. 
Com maior certeza, ela não tinha ideia do valor que ele dava a sinceridade. Entretanto, ela era fruto de uma cultura corrupta em que a ética praticamente não existia. Na sua sociedade, mentir era um modo de vida especialmente em sua profissão. 
O modo que ela respondeu é simplesmente o que se esperava de uma pessoa que só estava começando a crer em meio a essas circunstâncias. 
A questão é que a fé de Raabe, mesmo sem ter se desenvolvido tanto, imediatamente a levou à ação. Ela acolheu “em paz os espias” (Hebreus 11:31, ARC).E não os denunciou.  Sentido que ela não somente os escondeu, mas também, implicitamente, abraçou a  boa causa deles. 
Através disso, Raabe depositou todo o seu futuro nas mãos do seu Deus, e a prova da sua fé não foi a mentira que ela disse, mas sim o fato de que “recolheu os emissários, e os despediu por outro caminho” (Tiago 2:25) .
Enquanto ela poderia, em vez disso, tê-los entregue e recebidi uma boa quantia em dinheiro. Não é a mentira que tornou suas ações recomendáveis, mas sim o fato de que ela rejeitou uma recompensa fácil e arriscou sua própria vida e de sua família, apostando tudo no Deus de Israel. 
Nada, além da fé, poderia ter operado uma transformação tão dramática e instantânea no caráter de uma mulher como ela. 
Ela tinha, obviamente, cultivado uma grande curiosidade sobre o Deus dos hebreus, e a partir do que lhe foi contado sobre o seu tratamento para com Israel. 
Naquele momento do encontro com pessoas de carne e osso que o conheciam e o adoravam, ela estava pronta a juntar forças com eles para o bem.
O pensamento rápido de Raabe salvou os espias. No mundo militar temos que pensar rapidamente.
A narrativa sugere que ela escondeu rapidamente os homens depois que os mensageiros do rei tinham batido em sua porta e perguntado sobre os espias. Ela ouviu o pedido, “então... levou os dois homens e os escondeu”, antes de dar uma resposta (Josué 2:3-4, NKJV tradução livre).
A rapidez e a astúcia do seu esquema para escondê-los sugere que ela tinha experiência nesse tipo de coisa. Aparentemente, os talos de linho, “que [Raabe] havia arrumado” no terraço (v. 15), estavam lá exatamente para isso, para o caso de uma esposa ciumenta vir procurar por um cliente. Raabe também tinha uma corda comprida disponível. 
Não há dúvida de que ela tenha facilitado fugas parecidas anteriormente. O esconderijo certamente serviu, dessa vez, para uma causa nobre e santa. Possivelmente, os mensageiros do rei realizaram a busca na casa de Raabe rapidamente, sem poder encontrar os espias antes de partirem, seguindo a pista falsa que os levou por todo o caminho até os vaus do Jordão. Depois de ter certeza de que os mensageiros do rei não voltariam até o outro dia, Raabe voltou ao terraço para falar com os espias. 
Ela lhes deu um testemunho explícito da fé que a motivou. 
Acompanhe o relato bíblico: 
Antes dos espiões se deitarem, Raabe subiu ao terraço e lhes disse:
“Sei que o Senhor lhes deu esta terra. Vocês nos causaram um medo terrível, e todos os habitantes desta terra estão apavorados por causa de vocês, pois temos ouvido como o Senhor secou as águas do mar Vermelho perante vocês quando saíram do Egito, e o que vocês fizeram a leste do Jordão com Seom e Ogue, os dois reis amorreus que aniquilaram. Quando soubemos disso, o povo desanimou-se completamente, e por causa de vocês todos perderam a coragem, pois o Senhor, o seu Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra. Jurem-me pelo Senhor que, assim como eu fui bondosa com vocês, vocês também serão bondosos com a minha família. Deem-me um sinal seguro de que pouparão a vida de meu pai e de minha mãe, de meus irmãos e minhas irmãs, e de tudo o que lhes pertence. Livrem-nos da morte”. “As nossas vidas pelas de vocês!”, os homens lhe garantiram. “Se você não contar o que estamos fazendo, nós a trataremos com bondade e fidelidade quando o Senhor nos der a terra”. Então Raabe os ajudou a descer pela janela com uma corda. (Josué 2:8-14).
Observe que a fé de Raabe foi acompanhada pelo temor.
Não há nada de errado nisso. 
“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Salmo 111:10). 
No caso de Raabe, o temor foi o que, em parte, motivou sua fé. 
Ela tinha ouvido falar sobre provas poderosas da supremacia do Senhor sobre o Egito. Ela entendeu que foi o poder do Senhor, e não simplesmente a força militar, que tinha triunfado sobre Seom e Ogue, dois reis temíveis dos amorreus (Josué 2:10). 
Ela, provavelmente, entendia algo a respeito da autoridade soberana de Deus sobre Israel a partir dos contos que relatam os quarenta anos no deserto. 
O medo que ela tinha era saudável. 
Ele a tinha convencido de que Deus era, de fato, o único Deus verdadeiro. O salmista escreveu: “Anunciarão o poder dos teus feitos temíveis, e eu falarei das tuas grandes obras” (Salmos 145:6). 
Esse é exatamente o tipo de testemunho que tinha levado Raabe a crer no Deus dos hebreus. Os espias fizeram um juramento de tratá-la com bondade quando conquistassem a cidade, mas eles lhe deram uma condição. 
Ela tinha que pendurar um cordão vermelho na janela onde ela os desceu (Josué 2:17-18). Isso marcaria a casa dela diante de todo o Israel, e todos dentro da casa seriam poupados quando a cidade fosse derrotada.
A palavra hebraica para “cordão”, no versículo 18, é diferente da palavra para “corda”, no versículo 15. Esse cordão se tratava de uma faixa de fios entrelaçados, usada para decoração. A cor facilitaria a visualização desde a parte de baixo do muro. Tanto a sua aparência como a sua função faziam lembrar do sinal vermelho do sangue derramado no batente das portas durante a primeira Páscoa. 
Muitos comentaristas acreditam que essa cor também seja um símbolo tipológico do sangue do verdadeiro Cordeiro pascal.
É provável que sim. 
Ela certamente serve como um símbolo adequado do sangue de Cristo, que afasta a ira de Deus. Aos olhos de Raabe, no entanto, a importância do cordão escarlate não tinha nada de misterioso ou místico. Era um símbolo simples e conveniente que podia marcar sua janela discretamente, de modo que sua casa seria facilmente diferenciada de todas as outras  de Jericó. 
Depois de formalizar esse acordo para proteger a casa de Raabe e selar o compromisso com um juramento (vv. 17-20), os espias desceram secretamente na escuridão pela corda, para o vale do lado de fora dos muros de Jericó. 
Raabe os aconselhou a se esconderem nas montanhas por três dias, até que o rei desistisse da busca (v. 16), e eles assim fizeram. A Bíblia diz: 
“Estes [os perseguidores] os procuraram ao longo de todo o caminho e não os acharam” (v. 22). 
Quando os homens finalmente retornaram a Josué, o relatório foi bem diferente daquele que os dez espias infiéis tinham apresentado a Moisés quarenta anos antes. 
Era exatamente o que Josué esperava ouvir: 
“Sem dúvida o Senhor entregou a terra toda em nossas mãos, todos estão apavorados por nossa causa” (v. 24).
 A maioria das pessoas conhece o relato da vitória milagrosa de Israel sobre Jericó. É um exemplo clássico da maneira pela qual o triunfo espiritual sempre é obtido:
‘Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito’, diz o Senhor dos Exércitos” (Zacarias 4:6). Deus não opera exclusivamente por meio de milagres. 
Na verdade, são relativamente raros os momentos em que ele deixa de lado os meios normais para alcançar seus propósitos. 
Foram bem poucas as batalhas militares de Israel ganhas somente pela intervenção milagrosa de Deus. Os exércitos de Israel nas conquista da terra tiveram de lutar, mas, da mesma maneira, nenhuma de suas batalhas foi ganha sem o poder de Deus. 
Nesse caso, Deus interveio propositalmente de um modo que deixou claro a todos em Canaã que ele lutava a favor de Israel. 
Ele demoliu as muralhas imensas de Jericó sem nenhum meio militar. 
Isso não se tratou de um terremoto casual. 
Para provar isso, Deus fez com que os israelitas marchassem em volta da cidade por seis dias consecutivos (Josué 6). No sétimo dia, eles marcharam ao redor da cidade sete vezes, tocaram as trombetas e gritaram. 
Instantaneamente, o muro da cidade caiu por terra (Josué 6:20). 
Quer dizer, todas as muralhas, exceto uma parte: 
A casa de Raabe foi poupada.
 “Josué disse aos dois homens que tinham espionado a terra: 
‘Entrem na casa da prostituta e tirem-na de lá com todos os seus parentes, conforme o juramento que fizeram a ela’. 
Então os jovens que tinham espionado a terra entraram e trouxeram Raabe, seu pai, sua mãe, seus irmãos e todos os seus parentes para fora em segurança. 
Tiraram de lá todos os da sua família e os deixaram num local fora do acampamento de Israel.” (vv. 22-23).
 O escritor de Josué (provavelmente ele mesmo) acrescentou: 
“Raabe vive entre os israelitas até hoje” (v. 25). 
Raabe é um belo exemplo do poder transformador da fé. 
Apesar de ter poucas vantagens espirituais e pouco conhecimento da verdade, ela tinha o coração voltado a Deus. 
Ela arriscou a própria vida e da sua familia, e abandonou um modo de vida que não honrava a Deus e se afastou de tudo, exceto de seus parentes próximos, que ela trouxe para a comunidade do povo de Deus junto com ela. 
A partir daquele dia, ela teve uma vida completamente diferente, como uma verdadeira heroína da fé. Ela tem um lugar de honra na galeria dos herois da fé, dos quais o mundo não era digno, em Hebreus 11, junto de outros nomes notáveis daquela “grande nuvem de testemunhas” que testificam sobre o poder salvador da fé. 
Depois do relato da destruição de Jericó, em Josué 6, o nome de Raabe nunca mais é mencionado no Antigo Testamento. 
Quando Josué observou que ela estava ainda morando em Israel, isso foi, provavelmente, muitos anos depois da queda de Jericó. 
Aparentemente, Raabe viveu em tranquila dignidade e graça em meio ao povo de Deus com seu marido  Salmom.
E Arão gerou a Aminadabe; e Aminadabe gerou a Naassom; e Naassom gerou a Salmom;
E Salmom gerou, de Raabe, a Boaz; e Boaz gerou de Rute a Obede; e Obede gerou a Jesse, Mateus 1:4,5
Ela tinha sido radicalmente transformada do tipo de mulher que era. 
Ela era, e ainda é, um símbolo vivo do efeito transformador da fé salvadora. 
Essa é a mensagem principal contida no Evangelho para nossa vida. 
Na verdade, a passagem onde nos deparamos novamente com Raabe, nas páginas das Escrituras, encontra-se no Novo Testamento. 
Lá, seu nome é mencionado por três vezes. 
Duas delas a honram por sua fé fantástica (Hebreus 11:31; Tiago 2:25). 
Ela é considerada como exemplo de fé tanto para homens como para mulheres. 
Tiago, em particular, cita seu caso para demonstrar que a fé produz ação. 
De fato, a fé de Raabe não ficou latente por muito tempo.
Lembre-se: 
Somente depois de ela ter escondido os espias é que ela verbalizou a eles a sua crença de que  Deus era o Deus único e verdadeiro. 
Sua fé foi vista através do fruto de suas obras antes mesmo de ela ter oportunidade de declará-la com sua boca. 
Tiago diz que a fé verdadeira é sempre assim, ativa e frutífera. 
“A fé sem as obras está morta” (Tiago 2:26).
De morta, a fé de Raabe não tinha nada. 
No entanto, a ocorrência mais incrível do nome de Raabe no Novo Testamento é a primeira vez em que ele aparece lá, bem na primeira página, no primeiro parágrafo do primeiro evangelho. 
Mateus começa o seu relato da vida de Cristo com uma genealogia longa, traçando toda a linhagem de Cristo desde a época de Abraão. 
O objetivo de Mateus, obviamente, é provar pelos antepassados de Cristo que ele reunia as qualidades para ser a Semente prometida de Abraão, e que ele também era herdeiro legítimo do trono de Davi. 
Bem ali, na lista dos ancestrais de Jesus, encontramos, de forma inesperada, o nome de Raabe:
 “Salmom gerou Boaz, cuja mãe foi Raabe; 
Boaz gerou Obede, cuja mãe foi Rute; Obede gerou Jessé” (Mateus 1:5).
É bem incomum as mulheres serem mencionadas em genealogias hebraicas. 
Observemos que o registro dos descendentes de Adão, em Gênesis 5, omite qualquer referência a suas filhas. 
Mesmo assim, Mateus menciona cinco mulheres, e todas elas são notáveis: 
Tamar (1:3), Raabe (v. 5), Rute (v. 5), Bate-Seba (v. 6), e Maria (v. 16).
Pelo menos três delas eram gentias. 
Três delas eram desonradas por seus proprios estilos de vida. 
Na verdade, todas elas, por várias razões, sabiam o que era ser uma pessoa marginalizada ou ter alguma desonra ou estigma associada à sua reputação: 
Tamar era uma mulher cananeia cujo marido tinha morrido, deixando-a sem filhos. 
Ela se disfarçou de prostituta e seduziu seu próprio sogro, Judá, porque precisava ter um filho homem.  De um modo interessante, um cordão vermelho também faz parte da história trágica de Tamar (Gênesis 38:13-30). 
Já conhecemos Raabe, inclusive a vergonha de seu passado sórdido. 
Rute, que conheceremos logo em seguida, era da nação moabita, um povo geralmente desprezado em Israel (Rute 1:3). 
Bate-Seba, de quem Mateus não menciona o nome, mas simplesmente se refere à “mulher de Urias”, cometeu adultério com o Rei Davi (2Samuel 11). 
Maria, é claro, passou pela desonra de uma gravidez fora do casamento. 
Coletivamente, elas exemplificam como Deus é capaz de operar todas as coisas para o bem. 
Sob uma perspectiva humana, toda a genealogia é variada, com pessoas proscritas e exemplos de fracasso.
 As mulheres, em particular, destacam como o escândalo enfeitava boa parte da linhagem messiânica. Ela era cheia de estrangeiros, de pessoas marginalizadas, e de párias por vários motivos. 
Mesmo assim, muitas delas ainda encontraram um lugar no plano de Deus para trazer seu Filho ao mundo, ou para extrategicamente dar a luz a alguém que seria muito importante para o Senhor. 
O suposto escândalo na linhagem de Cristo não era um acidente. 
Na sua encarnação, Cristo voluntariamente “esvaziou-se a si mesmo, tomanado a foirma de servo” (Filipenses 2:7)
Ele se fez um proscrito e uma vergonha pública, fazendo-se maldição por nós na cruz, coisa que só acontecia com grandes pecadores(1Pedro 2:8). 
A propria mensagem do evangelho também é um escândalo público simplesmente uma loucura e uma vergonha para os que perecem, mas para aqueles que são salvos, é poder de Deus (1Coríntios 1:18). Afinal, “não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes... [Cristo não veio] para chamar justos, mas pecadores” (Marcos 2:17). 
Raabe era a verdadeira personificação desse princípio. 
Esse é o motivo pelo qual o Novo Testamento várias vezes a menciona como um exemplo, na vida real, do fruto da fé salvadora. 
Ela é uma lembrança viva de que até o pior dos pecadores pode ser redimido pela graça divina através da fé
“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus efesios 2.8.Não por obras, para que ninguém se glorie, porque somos criação de Deus”
Raabe não foi remida por causa de alguma obra meritória que fez. Ela tampouco obteve o favor de Deus por alguma boa obra. Lembre-se, até mesmo o que ela fez certo hospedar os espias foi manchado moralmente pelo modo como foi feito. 
Ela mentiu. 
Raabe não serve para nós como exemplo de obras humanas. 
Ela não é uma lição de como podemos melhorar através do desenvolvimento pessoal. 
E um lembrete de que Deus, por sua graça, pode remir até mesmo a vida mais horrível. 
Alguns dos rabinos escolásticos, um pouco antes da época de Jesus, ficavam constrangidos pelo fato de que uma mulher com o histórico de Raabe tenha sido poupada na destruição de Jericó e trazida a Israel como prosélita. 
Eles, os rabinos, propuseram um entendimento diferente da palavra “prostituta” em Josué 2:1 (também em 6:17, 25), diziam que o termo bíblico, em hebraico se parece com uma palavra que significa “alimentar”. 
Quem sabe Raabe tenha sido dona de uma pousada ou uma anfitriã. 
O problema é que a palavra real só tem um único sentido: 
“prostituta”. 
Esse é o entendimento inquestionável desse texto por séculos. 
Na verdade, não existe ambiguidade alguma nem na Septuaginta (uma tradução grega antiga datada do século II a.C.) nem nos textos gregos de Hebreus 11:31 ou de Tiago 2:25. 
A palavra usada para descrever Raabe é pornê, que significa “prostituta”. 
Observe que esse termo vem da mesma raiz do termo “pornografia”, em português, e tem conotações igualmente negativas moralmente. 
Essa ideia de higienizar o histórico de Raabe ressurgiu com alguns clérigos extremamente sensíveis na era vitoriana. 
Diz  C. H. Spurgeon, o pregador batista mais conhecido em Londres do final do século XIX, respondeu: “Essa mulher não era uma mera anfitriã, mas era uma verdadeira meretriz... 
Tenho por mim que nada além de um espírito de aversão à livre graça levaria um comentarista a negar o pecado dela”.
E ele está certo. 
Se retirarmos o estigma do pecado, tiraremos com ele a necessidade da graça. 
Raabe é extraordinária exatamente porque o que ela era simplesmente aumenta a glória da graça divina, a qual fez dela a mulher extraordinária que veio a ser a ponto de ter um lugar na galeria dos herois da fé.. Isso, no final das contas, é tudo o que aprendemos da vida dessa extraordinária mulher.

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